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EUA e Arábia Saudita fecham acordo de energia nuclear civil com permissão para enriquecimento de urânio

Pacto bilateral de dezenas de bilhões de dólares prevê construção de reatores com tecnologia norte-americana sem exigir o Protocolo Adicional da AIEA; texto segue para avaliação do Congresso dos EUA.

Por Timothy Gardner/ Reuters – Publicado em 23/07/2026 – 09:47 Foto: Reuters/Hamad I Mohammed

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita formalizaram um aguardado acordo de cooperação em energia nuclear civil. O pacto permitirá que o reino saudita enriqueça urânio e construa reatores nucleares utilizando tecnologia norte-americana. A negociação gerou forte repercussão por não exigir a assinatura do Protocolo Adicional da ONU, mecanismo que autoriza a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a realizar inspeções surpresa em instalações não declaradas.

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A negociação vinha sendo arrastada há anos por diferentes administrações em Washington devido aos alertas de grupos de não proliferação, temerosos de que a flexibilização abra caminho para uma corrida armamentista atômica no Oriente Médio.

Termos do pacto e o “Acordo 123”

Assinado pelo secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e pelo ministro de Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, o chamado Acordo 123 foi acompanhado por um tratado bilateral de salvaguardas.

Os principais pontos do documento incluem:

  • Enriquecimento e Reprocessamento: Permissão para que os sauditas processem urânio e resíduos no próprio país — rotas potenciais para o desenvolvimento de armas atômicas (diferente do acordo feito com os Emirados Árabes Unidos em 2009, que renunciaram expressamente a esses processos).

  • Ausência de Inspeção Extra: O governo norte-americano optou por manter apenas as salvaguardas regulares da AIEA, sem impor o Protocolo Adicional. A decisão acende alertas, visto que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman já declarou que buscaria armas nucleares caso o rival Irã o fizesse.

  • Impacto Econômico: O projeto, com duração estimada em 30 anos e valores na casa das dezenas de bilhões de dólares, deve beneficiar diretamente a gigante do setor energético Westinghouse.

Tramitação legislativa e reações de especialistas

Riad vinha pressionando Washington argumentando que, sem o aval norte-americano, buscaria parcerias estratégicas com potências como China ou Rússia. O Departamento de Energia dos EUA defende que o texto respeita as normas da Lei de Energia Atômica do país.

O acordo foi encaminhado ao Congresso dos EUA e entrará em vigor se os parlamentares não aprovarem uma resolução de oposição no prazo de 90 dias de sessão. Especialistas e entidades internacionais já se articulam para pressionar os congressistas contra a medida:

— “Exortamos os membros do Congresso a exercerem seu poder para rejeitar ou modificar o acordo, a fim de não abrir ainda mais as portas para a proliferação nuclear no Oriente Médio”, afirmou Kelsey Davenport, diretora de política de não proliferação da Associação de Controle de Armas.

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