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Governo suspende transmissões ao vivo do Discord no Brasil após morte de jovem de 13 anos

Determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados exige que plataforma comprove mecanismos de segurança para crianças e adolescentes após caso de indução ao suicídio.

Por Redação Terra – Publicado em 12/08/2026 – 15:10  – Foto: Bloomberg

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou nesta quarta-feira (12) que o Discord suspenda a funcionalidade de transmissões ao vivo no Brasil no prazo de três dias úteis. As lives e recursos equivalentes de compartilhamento de vídeo em tempo real deverão permanecer inativos até que a empresa comprove a adoção de medidas efetivas de proteção a crianças e adolescentes.

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A decisão cautelar ocorreu após o caso de uma adolescente de 13 anos, moradora de Naviraí (MS), que tirou a própria vida durante uma transmissão ao vivo na plataforma após ser induzida por um grupo de usuários. O caso está sob investigação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.

Ausência de mecanismos preventivos

A ANPD instaurou processo de fiscalização em 7 de agosto para apurar violações às diretrizes do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital). Segundo a Superintendência de Fiscalização (SFI-ANPD), foram encontradas evidências de que a plataforma não adotou medidas razoáveis para prevenir e mitigar riscos de exposição, indução e auxílio à violência, à automutilação e ao suicídio.

A agência destacou limitações na arquitetura técnica do Discord, que não possui acesso ao conteúdo em tempo real das transmissões realizadas em servidores fechados. Isso inviabiliza a detecção automatizada de abusos e faz com que o sistema dependa majoritariamente de denúncias posteriores dos próprios usuários.

“A medida cautelar de suspensão da funcionalidade de lives foi determinada […] em função de evidências robustas de que a empresa não adotou medidas razoáveis para prevenir e mitigar riscos de acesso, exposição, recomendação ou facilitação de contato com conteúdos ou práticas que representem graves violações de direitos de crianças e adolescentes”, informou a ANPD.

Alterações técnicas e sanções previstas

A fiscalização aponta que, em março, o Discord realizou alterações técnicas na ferramenta “Go Live” que tornaram o sistema ainda menos protetivo antes da entrada em vigor do ECA Digital. A determinação atual afeta especificamente as transmissões de vídeo e obriga a empresa a criar barreiras técnicas contra tentativas de burlar o bloqueio.

A reativação do recurso dependerá de autorização prévia expressa da ANPD. Caso sejam confirmadas infrações administrativas ao término do processo, a plataforma poderá sofrer sanções corretivas e multas de até R$ 50 milhões por infração. O Discord tem dez dias úteis para apresentar recurso à SFI-ANPD.

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