Menor área cultivada no Sul, custos de frete internacional e desvalorização do farelo elevam a pressão sobre moinhos, padarias e fabricantes de derivados.
Por Portal do Agronegócio – Publicado em 06/08/2026 às 10:30
A estimativa de uma forte retração na safra brasileira de trigo em 2026 acendeu o sinal de alerta no setor agroindustrial de alimentos. A soma de menor oferta interna, problemas climáticos no Sul do país e maior necessidade de compras no exterior tende a pressionar os custos das indústrias moageiras e repassar aumentos para produtos como pães, massas, biscoitos e bolos.
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A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) acompanha a conjuntura e destaca a complexidade logística para assegurar o suprimento diante das oscilações geopolíticas e do clima.
Quebra na safra nacional e aumento das importações
Segundo dados projetados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita nacional de trigo em 2026 registrará um recuo de 23,5% em relação ao ciclo anterior.
A redução da área plantada somou-se às chuvas excessivas durante o desenvolvimento do cereal no Rio Grande do Sul — principal polo produtor da cultura no país —, prejudicando a produtividade por hectare e a qualidade tecnológica dos grãos comercializáveis.
Para suprir o consumo doméstico, a Conab estima que o país terá de importar cerca de 1,9 milhão de toneladas adicionais do cereal no ciclo de 2027, ampliando a dependência do mercado fornecedor sul-americano, sobretudo da Argentina.
Incertezas internacionais e perda de valor do farelo
De acordo com o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa, a necessidade de ampliação das importações ocorre em um ambiente externo de preços elevados. A manutenção dos conflitos no Leste Europeu (Rússia e Ucrânia) e no Oriente Médio encareceu fretes marítimos, seguros de transporte, combustíveis e insumos agrícolas.
Paralelamente, a indústria de moagem enfrenta a desvalorização do farelo de trigo. Com a queda de preço do milho — seu principal concorrente na nutrição animal —, o coproduto perdeu rentabilidade, reduzindo a margem dos moinhos e transferindo a pressão financeira para o preço final da farinha.
Segurança alimentar garantida
Apesar da vulnerabilidade cambial e de custos, a Abitrigo descarta o risco de escassez da matéria-prima no mercado interno. A entidade reforça que os moinhos atuam com contratos antecipados, gestão de risco e diversificação de fornecedores globais para garantir o abastecimento contínuo do mercado consumidor nacional.
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