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Preço do leite ao produtor sobe 4,65%, mas alta de custos e perda de força no atacado acendem alerta

Levantamento do Cepea aponta que o litro pago ao produtor atingiu R$ 2,8761 na Média Brasil; no entanto, encarecimento da suplementação do rebanho e estabilização dos derivados no atacado limitam a rentabilidade no campo

Por Redação — Publicado em 19/09/2026 – 10:36 – Foto/Divulgação

O preço do leite captado pelos laticínios manteve a trajetória de alta e atingiu R$ 2,8761 por litro na Média Brasil líquida em julho, representando uma elevação de 4,65% na comparação com junho e de 4,96% em termos reais ante o mesmo período de 2025. Contudo, dados da edição de setembro do Boletim do Leite, elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), indicam que o mercado começou a apresentar sinais de acomodação nas etapas seguintes da cadeia produtiva.

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Apesar da recuperação da receita bruta nas propriedades, o ganho de rentabilidade do produtor foi parcialmente corroído pelo avanço do Custo Operacional Efetivo (COE), que subiu 0,63% entre julho e agosto. A alta dos custos foi impulsionada pelo encarecimento do concentrado e dos suplementos minerais — itens fundamentais para a nutrição do rebanho. Entre as praças analisadas pelo Cepea, o Rio Grande do Sul registrou o maior avanço mensal no custo operacional, com alta de 1,38%.

No setor atacadista, a pesquisa realizada em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) revelou um cenário de menor ímpeto para novos reajustes. Em agosto, o leite UHT em São Paulo subiu ligeiramente 0,45%, alcançando o valor médio de R$ 4,89 por litro, refletindo o repasse da matéria-prima encarecida no mês anterior. No entanto, a parcial de setembro já demonstra perda de força e estabilização nos derivados, indicando resistência do consumo final.

No comércio exterior, as exportações brasileiras de queijos apresentaram um salto mensal de 39,54% entre julho e agosto, atingindo 2,47 milhões de litros em equivalente-leite e respondendo por 47% de todo o volume lácteo exportado. Apesar do resultado positivo do segmento, o desempenho não foi suficiente para conter a retração nos embarques totais de lácteos, mantendo um saldo negativo de 4,6% na comparação anual com agosto de 2025. O cenário geral exige cautela dos produtores quanto ao gerenciamento de custos e margens de lucro nos próximos meses.

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