Levantamento inédito identificou 333 municípios em situação de vulnerabilidade severa; regiões Norte e Nordeste concentram os piores indicadores socioambientais e climáticos.
Por Alice Rodrigues – Agência Brasil – Publicado em 25/07/2026 – 08:52
Rio de Janeiro, RJ – Em um cenário marcado pelo avanço das mudanças climáticas e pela maior frequência de eventos extremos, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a organização de saúde global Vital Strategies lançaram o Painel Crianças e Meio Ambiente. O estudo mapeou a situação dos 5.571 municípios brasileiros entre 2021 e 2025 e revelou que 333 cidades (6% do país) enfrentam alta vulnerabilidade socioambiental e climática direcionada à população infantil e juvenil.
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A plataforma analisa 14 indicadores divididos em quatro pilares centrais: Qualidade do Ar, Infraestrutura Ambiental e Urbana, Eventos Climáticos Extremos e Ambiente Escolar.
Desigualdades regionais e falta de infraestrutura
O estudo aponta uma disparidade marcante entre os estados brasileiros. Os 333 municípios classificados no nível máximo de prioridade (nível 3 em mais de dez indicadores) estão concentrados predominantemente na Região Norte e no Maranhão. Entre os 30 municípios com piores índices consolidados, 24 pertencem ao Norte, quatro ao Maranhão e quatro ao Mato Grosso.
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Qualidade do Ar: A Região Norte lidera os alertas, com 94% dos municípios registrando níveis de poluição acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) devido a queimadas. No Sudeste, embora o percentual seja de 39%, essas cidades concentram 72% de toda a população infantil regional, sofrendo com emissões veiculares e industriais.
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Infraestrutura e Saneamento: No Norte (78%) e Nordeste (46%), a ausência de água tratada e esgoto sanitário compromete a saúde infantil, agravada pela dispersão geográfica e pela escassez hídrica.
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Ambiente Escolar: Nordeste (52%) e Sudeste (39%) possuem as maiores proporções de escolas sem qualquer área verde integrada.
“Quando se fala de eventos extremos, crianças dependem de seus cuidadores para tomar decisões. Elas não têm autonomia para reconhecer situações de perigo nem para se deslocar Sozinhas”, alertou o especialista em Mudanças Climáticas do Unicef, Danilo Moura.

Diagnóstico para políticas públicas
A plataforma está aberta para consulta pública e municipal, acompanhada de 50 recomendações práticas de intervenção física e gestão orçamentária. O objetivo é subsidiar prefeituras na mitigação de impactos e no planejamento preventivo focado na proteção à infância.
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