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Crise na Suinocultura: Preço do suíno vivo despenca 32% e tem pior marca histórica em 2026

Queda acumulada no ano é a maior desde o início da série do Cepea em 2002; fragilidade no consumo interno anula bons resultados das exportações

Por Portal do Agronegócio – Publicado em 30/04/2026 às 16:32

O mercado de suinocultura no Brasil enfrenta seu momento mais crítico em mais de duas décadas. Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), os preços do suíno vivo registraram em 2026 o pior desempenho de toda a série histórica, iniciada em 2002. Na região SP-5 (que inclui as praças de Campinas, Sorocaba e São Paulo), a desvalorização real acumulada chega a 32,8%.

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Apesar de a demanda externa pela carne brasileira continuar aquecida, o volume exportado não tem sido suficiente para compensar o consumo doméstico enfraquecido, que hoje é o principal vilão das cotações.

Panorama dos Preços: Vivo vs. Atacado

O desequilíbrio entre a oferta disponível e o ritmo de compras nacional pressionou todos os elos da cadeia. Confira a comparação das quedas reais acumuladas (considerando valores deflacionados):

  • Suíno Vivo (SP-5): Queda de 32,8% (Média de Abril/26 vs. Dezembro/25).

  • Carne Suína (Atacado): Recuo de 30,1%. A carcaça especial atingiu o menor patamar de preço desde fevereiro de 2019.

Por que o mercado não reage?

De acordo com os pesquisadores do Cepea, o cenário de pressão contínua é resultado de um efeito dominó:

  1. Baixo Poder de Compra: O consumidor brasileiro tem reduzido a proteína suína no carrinho, mesmo com preços em queda.

  2. Excesso de Oferta Interna: Como o mercado nacional não absorve a produção, as escalas de abate seguem pressionadas, forçando os produtores a aceitarem valores menores.

  3. Feriados Prolongados: O excesso de folgas em abril tradicionalmente esfria a demanda industrial e comercial.

Expectativa: O fator “Maio” pode salvar o setor?

Agentes do setor consultados pelo Cepea projetam uma estabilização das cotações para o próximo mês. Três fatores sazonais sustentam esse otimismo cauteloso:

  • Dia das Mães: Aumento tradicional na demanda por proteína animal em restaurantes e reuniões familiares.

  • Entrada de Salários: A injeção de liquidez na economia no início do mês favorece o consumo.

  • Fim dos Feriados: A retomada da rotina logística e comercial tende a equilibrar os estoques.

No entanto, o Cepea alerta que, sem uma reação consistente da demanda interna, o setor continuará enfrentando sérias dificuldades para recuperar as margens de lucro ao longo do primeiro semestre de 2026.

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