De acordo com o levantamento do observatório da UFMG baseado no Cadastro Único (CadÚnico), o Brasil atingiu a marca de 388,8 mil pessoas vivendo nessas condições. O território paulista concentra sozinho mais de 40% desse contingente, evidenciando uma alta considerada desproporcional pelos pesquisadores.
Por Letycia Treitero Kawada/ Agência Brasil – Publicado em 29 de maio de 2026 às 09:27
O cenário de vulnerabilidade social extrema no Brasil apresentou um crescimento acentuado e preocupante. Estatísticas atualizadas do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do governo federal, compiladas pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/Polos-UFMG), apontam que o país contabilizou 388.855 pessoas em situação de rua neste mês de maio.
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O estado de São Paulo mantém-se de forma isolada na liderança do ranking nacional de desabrigo. A unidade federativa abriga atualmente 159.290 indivíduos nessas condições — uma marca consideravelmente superior à soma do segundo e do terceiro colocados na lista, ocupados respectivamente pelo Rio de Janeiro (35.406 pessoas) e Minas Gerais (34.849 pessoas).
Aceleração dos indicadores no Sudeste e em Roraima
A análise histórica realizada pela equipe de pesquisadores da UFMG revela que a curva de crescimento entre os anos de 2020 e 2025 foi contínua e expressiva nos três principais estados do Sudeste. São Paulo praticamente dobrou sua amostragem no período, saltando de 83.074 para 150.958 registros, o que foi classificado pelos cientistas sociais como uma alta desproporcional. O território fluminense avançou de 23.433 para 33.656, enquanto o solo mineiro subiu de 14.304 para 33.139 casos.
Fora do eixo geográfico do Sudeste, o estado de Roraima posicionou-se como outro forte destaque negativo da avaliação. Fugindo da tendência de estabilidade observada em estados com menor densidade populacional, os registros roraimenses quadruplicaram:
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Evolução Estadual: Saltou de 2.537 para 10.520 pessoas registradas em situação de rua;
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Foco na Capital: O fenômeno foi severamente tracionado por Boa Vista, onde o contingente saltou de 2.484 para 10.497 moradores de rua entre os anos de 2022 e 2025.
Perfil demográfico e centralização nas capitais
Os dados consolidados pelo OBPopRua também deixam clara a forte tendência de macrocefalia urbana do problema, onde as capitais absorvem a quase totalidade das ocorrências estaduais. No Ceará, a cidade de Fortaleza responde por 11.349 das 14.171 pessoas identificadas no estado. Já no Rio de Janeiro, a capital absorve 69,6% de todo o índice do estado, seguida de perto por São Paulo (67,2%) e Belo Horizonte (46,6% do total de Minas Gerais).
Panorama nacional da vulnerabilidade
A pesquisa classificou o restante das unidades da federação de acordo com o grau de severidade dos indicadores analisados:
| Classificação de Gravidade | Estados Integrantes |
| Alta Concentração | São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais |
| Intermediária | Distrito Federal, Santa Catarina, Roraima, Pernambuco, Goiás, Espírito Santo, Pará, Mato Grosso e Amazonas |
| Menos Preocupante | Amapá, Acre, Tocantins, Rondônia e Piauí |
Fatores estruturais: O relatório final destaca que seis em cada dez pessoas inseridas nesta realidade vivem na Região Sudeste. Os analistas apontam que a busca por colocação no mercado de trabalho atrai milhares de trabalhadores para a região, contudo, a falta de rede de apoio e de moradias acessíveis impede a absorção digna desse público. O fator racial também se faz presente na amostragem: sete em cada dez pessoas em situação de rua no Brasil são negras.
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