Requerimento liderado pelo presidente da Câmara, Danilo da Saúde, aciona o secretário estadual Eleuses Paiva; serviço foi extinto na Santa Casa em 2023 e hoje pacientes viajam mais de 100 km por socorro.
Por Thais Helena Iatecola – Publicado em 01/06/2026 às 17:25 – Foto: Wilson Ruiz
A Câmara Municipal de Marília intensificou a articulação política para cobrar do Governo do Estado de São Paulo a reabertura imediata da Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) no município. Um requerimento oficial, apresentado pelo presidente do Legislativo, Danilo Bigeschi, o “Danilo da Saúde” (PSDB), e subscrito por todos os vereadores da Casa, foi encaminhado ao secretário de Estado da Saúde, Eleuses Paiva, exigindo um plano de ação e esclarecimentos técnicos sobre a ausência desse serviço essencial na rede pública local.
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O documento questiona formalmente quais providências estruturais estão sendo adotadas pelo Palácio dos Bandeirantes e por que o Hospital das Clínicas (HC) de Marília — complexo de referência regional administrado diretamente pelo Estado — não absorveu a demanda de alta complexidade. A mobilização ganha força após forte pressão da imprensa e de emissoras de rádio locais, que refletem o descontentamento da sociedade civil com o vácuo assistencial.
Em Marília, o atendimento especializado a grandes queimados era realizado na Santa Casa de Misericórdia. No entanto, o serviço foi completamente suspenso em maio de 2023, após a instituição filantrópica alegar asfixia financeira, falta de repasses públicos suficientes e extrema dificuldade para compor e remunerar a escala de médicos especialistas.
Gargalo Logístico: Sem suporte local, moradores de Marília e região que sofrem queimaduras graves precisam aguardar a liberação de vagas via Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde) para cidades localizadas a uma distância mínima de 100 quilômetros, agravando o risco de infecções e sequelas irreversíveis.
Polo industrial eleva vulnerabilidade regional
A urgência na reestruturação da UTQ é fundamentada pelo perfil econômico da região. Marília opera como sede de um polo macroeconômico que engloba mais de 60 municípios e uma população estimada em 1,2 milhão de habitantes. A alta concentração de indústrias alimentícias, metalúrgicas e de beneficiamento agrícola eleva estatisticamente o risco de acidentes de trabalho graves envolvendo fogo, vapor e produtos químicos.
Como exemplo recente da vulnerabilidade regional, os parlamentares citaram o grave acidente ocorrido no município vizinho de Pompeia, onde a explosão em uma indústria de beneficiamento de amendoim vitimou dezenas de operários. Na ocasião, a ausência de leitos especializados na comarca exigiu transferências complexas de helicóptero e ambulância de suporte avançado para centros médicos distantes.
Além do risco clínico imediato gerado pelo transporte de pacientes instáveis, o fechamento da UTQ impõe um severo impacto socioeconômico às famílias das vítimas. O deslocamento forçado gera custos elevados com transporte, hospedagem e alimentação em outros municípios, além de isolar o paciente de sua rede de apoio afetivo em um momento crítico de reabilitação. O Legislativo Municipal aguarda o posicionamento formal da Secretaria de Estado da Saúde para definir os próximos desdobramentos da cobrança.
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