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El Niño em 2026 Pode Impactar Café, Soja e Milho na Safra 2026/27, Alerta Estudo da Nottus

Fenômeno climático deve alterar o regime de chuvas e temperaturas em regiões produtoras do Brasil, exigindo maior atenção e monitoramento contínuo no planejamento agrícola.

Por Portal do Agronegócio – Publicado em 05/06/2026 – 10:34

A possível formação do fenômeno El Niño ao longo de 2026 acende um sinal de alerta para o agronegócio brasileiro e pode influenciar diretamente o desempenho da safra 2026/27. O cenário climático, segundo análise da Nottus — empresa especializada em inteligência de dados e consultoria meteorológica —, aponta riscos de alterações no regime de chuvas, elevação das temperaturas e impactos sobre o calendário agrícola em importantes regiões produtoras do país.

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Projeções Indicam Transição para o El Niño em Meados de 2026

O levantamento “El Niño 2026: cenários, critérios e impactos no Brasil”, elaborado com base em projeções da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), indica elevada probabilidade de transição para o fenômeno entre maio e julho de 2026. A tendência inicial é de um evento de intensidade fraca a moderada, com possibilidade de fortalecimento no segundo semestre e reflexos até o início de 2027.

De acordo com a meteorologista e sócia-executiva da Nottus, Desirée Brandt, o principal desafio para o setor está na combinação entre o El Niño e o atual cenário de aquecimento global, que tende a intensificar a irregularidade climática.

“O comportamento do clima pode ficar ainda mais instável em algumas regiões produtoras. Por isso, o monitoramento meteorológico e o acompanhamento do calendário agrícola se tornam fundamentais para reduzir riscos e melhorar o planejamento da safra”, afirma Brandt.

Café em Minas Gerais Entra no Radar Climático

As regiões cafeeiras do Sudeste, especialmente o Sul de Minas e o Cerrado Mineiro, devem acompanhar de perto a evolução do fenômeno climático. Em um primeiro momento, ainda existe possibilidade de geadas pontuais em áreas mais elevadas durante o inverno. No entanto, com o avanço do El Niño, a tendência é de aumento das temperaturas e maior frequência de instabilidades atmosféricas.

Municípios produtores como Três Pontas e Patrocínio podem registrar períodos mais frequentes de chuva durante etapas estratégicas da colheita do café, o que exige maior atenção no manejo e na secagem dos grãos. O excesso de umidade combinado com temperaturas elevadas também pode favorecer floradas fora do período habitual, impactando o desenvolvimento das lavouras. O cenário ganha ainda mais relevância diante da previsão de bienalidade negativa para o café em 2027, ciclo naturalmente associado à redução da produtividade das plantas.

Sul do Brasil Enfrenta Desafios nas Culturas de Inverno e Logística

No Sul do país, os impactos do El Niño podem atingir diretamente culturas de inverno, como trigo e frutas típicas de clima frio. A possível redução das horas de frio preocupa produtores que dependem de temperaturas mais baixas para garantir produtividade e qualidade.

Principais Impactos na Região Sul

  • Redução de Horas de Frio: Prejuízo ao desenvolvimento de culturas de inverno e fruticultura de clima temperado.

  • Excesso de Precipitação: O aumento das chuvas pode comprometer as operações de campo, dificultar a colheita e afetar a qualidade final dos grãos.

  • Gargalos Logísticos: O estudo destaca que o excesso de chuvas no segundo semestre tende a elevar os desafios no transporte e no armazenamento da produção agrícola regional.

Irregularidade das Chuvas Preocupa Soja e Milho Safrinha

No Centro-Oeste e em parte do Sudeste, o principal ponto de atenção está relacionado ao comportamento irregular das chuvas durante a safra 2026/27, especialmente para culturas como soja e milho segunda safra. Embora a expectativa seja de ocorrência de precipitações ao longo do ciclo, a distribuição deve ocorrer de forma menos uniforme em determinados períodos, aumentando os riscos para o calendário de plantio.

“Atrasos no plantio da soja podem comprometer a janela ideal do milho safrinha, impactando a produtividade e o potencial produtivo da segunda safra”, explica a meteorologista. O levantamento ainda aponta maior frequência de ondas de calor e períodos de precipitação irregular nessas regiões ao longo dos próximos meses.

Diante do cenário projetado, especialistas reforçam que o monitoramento climático contínuo será essencial para apoiar decisões estratégicas no campo, desde o planejamento do plantio até a definição de manejos e operações logísticas.

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