Gestão de Donald Trump ameaça aplicar taxa de 25% sobre exportações do Brasil; Palácio do Planalto descarta concessões envolvendo o Pix e prepara estratégia de resposta até quarta-feira.
Por O GLOBO — Brasília – Publicado em 13/07/2026 09:18 Foto: Reuters/Evan Vucci
O governo brasileiro entrou na reta final de negociações para tentar evitar uma forte retaliação comercial por parte dos Estados Unidos. O prazo para que a gestão do presidente americano Donald Trump tome uma decisão definitiva sobre a ampliação de tarifas alfandegárias contra produtos do Brasil expira na próxima quarta-feira (15). Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é de que o cenário mais provável seja a aplicação do chamado “tarifaço”, que representará uma elevação de 25% sobre as importações de itens brasileiros.
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Apesar do prognóstico pessimista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com auxiliares na última sexta-feira e ordenou que a diplomacia e os canais de diálogo técnico sejam mantidos e esgotados até o último minuto. O petista reforçou o posicionamento de que as taxas propostas são “injustas e injustificáveis”, mas frisou que a obrigação do Executivo é persistir nas conversas bilaterais com Washington antes de decretar um impasse.
Setores inteiros na mira e recusa de concessões no Pix
O governo debate a possibilidade de organizar uma reunião emergencial com Jamieson Greer, o Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), até a quarta-feira, embora a agenda ainda não esteja oficialmente confirmada. Desde o encontro presidencial entre Lula e Trump na Casa Branca, em maio deste ano, as equipes brasileiras já se reuniram quatro vezes com o principal negociador americano para tentar demover a Casa Branca da medida.
A sanção tem o potencial de paralisar e sufocar setores estratégicos da indústria e do agronegócio nacional. Estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que mais de 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil aos norte-americanos podem ser diretamente afetados pela barreira, com destaque para o açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio.
Apesar da gravidade do impacto financeiro, interlocutores do governo brasileiro asseguram que o país não fará nenhuma concessão de soberania em troca do recuo tarifário. Estão fora da mesa de negociações quaisquer mudanças na regulação de setores internos que desagradam o mercado americano, como o sistema de pagamentos instantâneos (Pix) e as diretrizes de governança digital.
Entenda as justificativas dos EUA para a sanção
A ofensiva comercial foi estruturada pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — o mesmo dispositivo legal acionado por Washington em disputas tarifárias severas de anos anteriores contra a China. A investigação foi aberta originalmente em julho de 2025 por ordem direta de Donald Trump. O relatório emitido pelo órgão classifica uma série de políticas, atos e práticas regulatórias brasileiras como “irracionais” ou restritivas ao livre comércio com empresas norte-americanas.
O principal ponto de fricção é o Pix. O documento americano alega que o Banco Central do Brasil atua simultaneamente como regulador do mercado e operador direto do sistema, o que criaria vantagens competitivas desleais em relação a multinacionais e big techs privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento digital e cartões de crédito. Além disso, os EUA questionam decisões recentes de tribunais brasileiros envolvendo plataformas digitais, citando ordens sob sigilo para remoção de conteúdos políticos e bloqueios de contas em redes sociais, incluindo perfis de pessoas residentes nos Estados Unidos.
O Palácio do Planalto optou por calibrar uma reação ou falar em medidas de reciprocidade — taxar produtos americanos que entram no Brasil — apenas após a divulgação oficial do documento na quarta-feira. O objetivo é analisar item por item da lista de restrições de Trump para medir com precisão o impacto macroeconômico e, só então, planejar o contra-ataque comercial.
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