O fogo atingiu a Utumishi Girls’ Academy na cidade de Gilgil durante a madrugada desta quinta-feira. O incidente também deixou 79 alunas feridas, levantando novos alertas sobre a recorrência de incêndios estruturais e protestos na rede de ensino do país africano.
Por Thomas Mukoya (Repórter da Reuters) com reportagem adicional de George Obulutsa e Vincent Mumo Nzilani – Publicado em 28 de maio de 2026 às 10:11 – Foto: Reprodução/Facebook
Uma tragédia chocou a região centro-oeste do Quênia na madrugada desta quinta-feira (28). Um incêndio de grandes proporções destruiu por completo o dormitório da Utumishi Girls’ Academy Senior School, uma escola voltada para o público feminino localizada na cidade de Gilgil, no Vale do Rift. De acordo com o balanço oficial divulgado pelas autoridades governamentais, pelo menos 16 estudantes morreram confinadas no alojamento.
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O ministro da Educação do país, Julius Migos, informou que o fogo começou logo após a meia-noite e se alastrou rapidamente pela estrutura, durando mais de duas horas até que as equipes de socorro conseguissem conter as chamas. O incidente deixou outras 79 alunas feridas devido à inalação de fumaça e queimaduras. Até o momento da publicação do boletim governamental, 71 delas já haviam recebido atendimento médico e recebido alta hospitalar.
Desespero nos portões e investigação
Canais de televisão locais transmitiram imagens impactantes do cenário pós-incêndio, exibindo vidros despedaçados, tetos desabados e as paredes externas tomadas por manchas densas de fuligem. Do lado de fora da instituição de ensino, o clima era de desespero: dezenas de pais e familiares aglomeravam-se nos portões em busca de informações sobre o paradeiro de suas filhas, já que o processo de identificação das vítimas fatais está em andamento.
As causas oficiais que desencadearam o início das chamas na Utumishi Girls’ Academy ainda não foram esclarecidas pela polícia técnica queniana.
Alerta sobre o histórico de incêndios no país
A tragédia reacende o debate sobre a segurança e a infraestrutura dos internatos e colégios no Quênia. Dados estatísticos compilados pelo próprio governo apontam que incêndios em instalações escolares são um problema crônico e alarmante no país — apenas ao longo do ano de 2024, foram contabilizados mais de 100 registros de episódios semelhantes.
O fator socioeducacional: Pesquisas e relatórios sociais conduzidos na região indicam que grande parte desses incêndios em alojamentos não ocorre por acidente elétrico. Com frequência, o fogo é provocado intencionalmente pelos próprios estudantes como uma forma extremada de protesto contra sistemas de disciplina excessivamente severos, abuso de autoridade por parte de diretores e as condições precárias de saneamento e moradia oferecidas pelas escolas.
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