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Incêndio em Hong Kong deixa ao menos 44 mortos e centenas de desaparecidos no complexo Wang Fuk Court

Um incêndio de grandes proporções devastou, nesta quarta-feira, parte do complexo residencial Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, no norte de Hong Kong, causando uma das maiores tragédias urbanas recentes da cidade. As autoridades confirmaram pelo menos 44 mortes, entre elas um bombeiro que atuava no combate às chamas. Outras 279 pessoas continuam desaparecidas, enquanto 45 vítimas permanecem em estado crítico após serem socorridas e encaminhadas para hospitais da região.

O incêndio atingiu vários blocos de apartamentos de 32 andares, dentro de um condomínio construído em 1983 e que abriga quase 2.000 unidades residenciais, onde vivem aproximadamente 4.600 moradores. O alerta inicial foi recebido às 14h51, horário local, e, em menos de uma hora, o incidente já havia sido elevado ao nível 4 – o segundo mais alto na escala de emergências de Hong Kong.

Andaimes de bambu podem ter acelerado tragédia

Quatro dos oito blocos do condomínio estavam envolvidos por andaimes de bambu, usados na reforma da fachada. Segundo as autoridades, essa estrutura é uma das principais hipóteses para explicar a velocidade incomum de propagação das chamas, que saltaram de um prédio a outro “num piscar de olhos”, conforme relataram moradores.

Embora tradicionais e amplamente utilizados na construção civil de Hong Kong, os andaimes de bambu vêm sendo gradualmente descontinuados pelo governo devido ao alto risco que representam. Além da combustibilidade, o material sofre deterioração natural e apresenta variação mecânica, o que compromete sua resistência. Em março, o Departamento de Desenvolvimento já havia anunciado um plano de substituição após uma série de acidentes fatais envolvendo esse tipo de estrutura.

As causas do incêndio ainda não foram oficialmente determinadas, mas a polícia e equipes técnicas trabalham na análise dos escombros e na coleta de depoimentos. Segundo a corporação de bombeiros, explosões foram ouvidas dentro dos edifícios, e as mangueiras de combate ao fogo tiveram dificuldade para alcançar os andares superiores.

Relatos de sobreviventes

Moradores que conseguiram escapar descrevem momentos de pânico e uma propagação das chamas muito mais rápida do que a esperada.

Harry Cheung, 66 anos, que vive no Wang Fuk Court há mais de quatro décadas, contou ter ouvido “um barulho muito alto” minutos antes de avistar o fogo consumindo um dos blocos vizinhos. “Voltei correndo para pegar algumas coisas. Agora, só penso onde vou dormir esta noite”, relatou.

Outro morador, Jason Kong, tentou entrar no prédio para resgatar seu cachorro, mas foi impedido pela polícia devido ao risco extremo. Ele afirmou que recebeu mensagens alertando que o telhado já estava em chamas e se surpreendeu com a velocidade da escalada. “Achei que o fogo do bloco três não se propagaria tão depressa. Espalhou-se num piscar de olhos”, disse.

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