Às vésperas do Dia Mundial Sem Tabaco, especialistas apontam retrocesso no combate ao tabagismo. Impulsionado pelo vape, o hábito atrai jovens com designs modernos e sabores, mascarando doenças graves como a EVALI e gerando custos bilionários ao SUS.
Por Bianca Espíndula/Hapvida – Publicado em 27 de maio de 2026 10:36
O Brasil, historicamente reconhecido como uma das principais referências globais no combate ao tabagismo graças à eficácia da Lei Antifumo, enfrenta agora um preocupante revés na saúde pública. Com a popularização dos dispositivos eletrônicos de fumar (os chamados vapes ou pods), a fumaça e o vapor voltaram a ocupar espaço nas rodas sociais e ambientes festivos. Médicos alertam que esses aparelhos tecnológicos funcionam como uma perigosa porta de entrada para a dependência química de uma nova geração de fumantes.
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De acordo com indicadores compilados pelo Ministério da Saúde, o número de fumantes no Brasil registrou um crescimento de 25% no intervalo entre 2023 e 2024. O impacto do tabaco no país é severo: o governo estima que mais de 174 mil pessoas morrem anualmente devido a patologias associadas ao cigarro.
Financeiramente, as consequências sobrecarregam o Sistema Único de Saúde (SUS), que amarga um custo de R$ 153 bilhões por ano com tratamentos de pacientes fumantes — enquanto a arrecadação de impostos sobre a venda de produtos de tabaco cobre meros 5% desse montante. O panorama serve como alerta para as ações globais do dia 31 de maio, data em que se celebra o Dia Mundial Sem Tabaco.

A armadilha do vape e o mito do consumo social
O principal vetor dessa nova onda de tabagismo é o apelo visual e comercial dos cigarros eletrônicos. Com formatos compactos, luzes, cores chamativas e essências adocicadas ou frutadas, os aparelhos conseguiram dissipar o estigma social que o cigarro tradicional carregava.
“Infelizmente, temos notado um retrocesso preocupante. Os dispositivos eletrônicos mudaram o cenário e criaram uma falsa sensação de que o vape é inofensivo. O maior risco da aceitação social é justamente transformar o tabagismo em algo comum novamente. Quando o cigarro reaparece na rotina, a barreira da prevenção enfraquece”, aponta a pneumologista Bianca Espíndula, da operadora Hapvida.
A especialista refuta categoricamente a premissa de que fumar exclusivamente em eventos ou finais de semana minimize os riscos biológicos.
Danos agudos e os riscos ocultos do fumo passivo
Segundo a comunidade médica, não existe dose ou limite seguro para o consumo de nicotina. Mesmo o uso recreativo ou esporádico desencadeia processos inflamatórios imediatos nas vias aéreas. No caso específico dos vaporizadores, muitos modelos trazem concentrações de nicotina superiores às encontradas em um maço inteiro de cigarros de papel.
Além do vício precoce, a inalação do vapor expõe o organismo a metais pesados e compostos químicos altamente tóxicos. O reflexo clínico imediato dessa exposição é o surgimento da EVALI, uma lesão pulmonar aguda e grave provocada pelas substâncias dos cigarros eletrônicos, capaz de levar usuários jovens diretamente para leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI).
Os prejuízos se estendem a quem convive com fumantes. O fumo passivo continua subestimado pelo público, embora o vapor exalado concentre substâncias cancerígenas. As crianças figuram como as principais afetadas pelo fumo de terceiros, manifestando episódios recorrentes de:
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Crises de asma e bronquite aguda;
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Pneumonias bacterianas e virais;
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Infecções persistentes de ouvido (otites).
O problema tem mobilizado legislações internacionais. Em abril deste ano, o Reino Unido avançou com uma proposta drástica que proíbe a venda permanente de tabaco para qualquer cidadão nascido a partir de 2009, visando erradicar o hábito nas próximas gerações. No corpo humano, os sintomas de deterioração costumam se manifestar de forma precoce, incluindo fadiga crônica, tosse insistente, perda de olfato, envelhecimento da pele e mau hálito.

Guia prático: Como iniciar o processo de cessação
Para os segurados ou cidadãos que desejam romper com o ciclo da dependência, especialistas recomendam a adoção de estratégias comportamentais:
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Estipule uma data definitiva: Escolha um dia específico no calendário para interromper o uso e encare-o como um marco de mudança de hábitos;
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Identifique os gatilhos: Mapeie quais situações sociais, picos de estresse ou rotinas de trabalho despertam a vontade automática de fumar;
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Substitua o hábito: Utilize mecanismos de compensação saudáveis, como beber água gelada ou consumir chicletes e pastilhas sem açúcar nos momentos de fissura;
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Insira atividades físicas: Exercícios regulares auxiliam no controle da ansiedade e estimulam a liberação natural de endorfina;
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Persista após recaídas: Episódios isolados de lapso não devem ser interpretados como falha total no tratamento. Busque apoio médico especializado para suporte terapêutico.
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