Uma massa de ar quente vinda do Norte da África elevou as temperaturas em até 15 °C acima da média histórica na Europa Ocidental. O fenômeno extremo gerou marcas inéditas em maio, mortes por parada cardíaca e afogamentos, além de incêndios florestais.
Por Jônatas Levi/O Globo — Publicado em 27 de maio de 2026 às 10:21 – Foto: Daniel LEAL / AFP
Uma onda de calor fora de época provocou um cenário alarmante e de contornos nos históricos em diferentes nações da Europa Ocidental. O fenômeno, impulsionado por uma forte “cúpula de calor” — um sistema meteorológico de alta pressão que atua como uma tampa, aprisionando o ar quente e bloqueando massas frias —, elevou os termômetros a marcas até 15 °C acima da média prevista para o fim da primavera. O calor extremo colocou os sistemas de saúde e segurança de Reino Unido, França, Espanha e Portugal em alerta máximo devido ao registro de mortes, incêndios em vegetação e colapsos em serviços públicos.
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Recorde centenário é pulverizado no Reino Unido
O Reino Unido viveu nesta terça-feira o dia de maio mais quente desde que as medições meteorológicas oficiais começaram no país. De acordo com o instituto oficial Met Office, os termômetros atingiram a marca de 35 °C em Londres, quebrando o recorde histórico de 32,8 °C que persistia desde 1922 (e que havia sido igualado apenas em 1944).
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A capital britânica também experimentou o fenômeno raro da “noite tropical”, quando a temperatura não recua abaixo dos 20 °C na madrugada. Em uma cidade historicamente despreparada para o calor severo, o cotidiano foi severamente impactado:
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Passageiros relataram mal-estar em vagões de metrô desprovidos de ar-condicionado;
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Regiões do sudeste da Inglaterra registraram desabastecimento de água devido à explosão no consumo urbano;
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Pelo menos quatro mortes por afogamento foram registradas — incluindo três adolescentes em lagos e reservatórios e um idoso de 60 anos no mar.
Na Escócia, o clima seco e a alta temperatura alimentaram um incêndio florestal de grandes proporções nos arredores de Arthur’s Seat, colina icônica que circunda a paisagem da capital Edimburgo.
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França, Espanha e Portugal enfrentam marcas de “pleno verão”
Na França, a agência Météo-France classificou o calor atual como algo “sem precedentes para a temporada”. Cidades do sudoeste, como Nantes, registraram picos de até 35 °C, enquanto Paris projeta marcas de 32 °C para os próximos dias. O governo francês associou diretamente sete mortes ao estresse térmico na última semana, englobando cinco afogamentos e duas paradas cardíacas de atletas durante competições esportivas de alta intensidade — uma delas na modalidade Hyrox, em Lyon.
“Tanto as temperaturas máximas quanto as mínimas deverão atingir níveis sem precedentes para a temporada em diversas regiões. O calor é provocado por uma massa de ar quente vinda do Norte da África, associada a uma área persistente de alta pressão atmosférica”, alertou a Météo-France em comunicado oficial.
A situação é similar na Península Ibérica. A agência espanhola Aemet reportou que Sevilha anotou 38 °C no último fim de semana, com projeções de 40 °C para o interior do país nos próximos dias — padrões climáticos típicos dos meses de julho e agosto. Em Portugal, o governo emitiu restrições e alertas para o risco crítico de incêndios florestais nas regiões do interior, ordenando a proibição de trabalhos ao ar livre nos horários de pico do sol.
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Cientistas e climatologistas são categóricos em ligar a antecipação dessas ondas de calor diretamente às mudanças climáticas globais causadas pela ação humana. Estudos apontam que o continente europeu é, atualmente, a área geográfica que se aquece mais rapidamente em todo o planeta. Como reflexo dessa vulnerabilidade, dados consolidados revelam que mais de 62 mil pessoas morreram por complicações associadas ao calor na Europa apenas durante o ano de 2024.
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