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Preços do trigo disparam no Brasil em 2026 com alta acumulada de até 25% no quadrimestre

Escassez de lotes de qualidade no Sul e recomposição de estoques pelos moinhos sustentam valorização; câmbio impede repasse total da pressão externa

Por Portal do Agronegócio – Publicado em- 02/05/2026 às 10:55

O mercado brasileiro de trigo encerrou o mês de abril consolidando uma tendência de recuperação iniciada no começo do ano. A combinação de oferta restrita nas principais regiões produtoras e a necessidade de moinhos recomporem seus estoques impulsionou as cotações, especialmente no Rio Grande do Sul e no Paraná.

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A dinâmica atual reflete um mercado interno mais ajustado, onde a seletividade dos vendedores e a exigência por grãos de melhor padrão industrial ditam o ritmo das negociações.

Valorização no Sul do país

Em abril, as principais praças produtoras registraram avanços importantes nos preços FOB interior:

  • Rio Grande do Sul: Alta de 8% no mês, elevando a referência para R$ 1.295 por tonelada.

  • Paraná: Avanço de 3%, com a tonelada alcançando a média de R$ 1.407.

No acumulado dos primeiros quatro meses de 2026, a recuperação é ainda mais expressiva, com o Rio Grande do Sul registrando alta de 25% e o Paraná de 20%. Apesar disso, na comparação anual, os preços ainda operam cerca de 10% abaixo dos níveis registrados no mesmo período de 2025.

Cenário externo e o fator Câmbio

A Argentina permanece como o fiel da balança para o abastecimento brasileiro, com preços estáveis em torno de US$ 240 por tonelada. Contudo, a pressão altista global é real: o trigo hard norte-americano subiu quase 8% em abril e já acumula alta de 27% no ano.

No Brasil, essa pressão externa não foi sentida integralmente devido ao comportamento do câmbio. A valorização do Real frente ao Dólar barateou a paridade de importação, funcionando como um “amortecedor” que impediu altas ainda mais agressivas para o consumidor final e para a indústria de moagem.

Perspectivas para o setor

Para os próximos meses, a tendência é de manutenção do mercado firme. A escassez de trigo de alta qualidade no mercado doméstico deve manter os moinhos ativos na busca por lotes específicos. O setor seguirá atento à evolução da safra argentina e, principalmente, às oscilações cambiais, que continuarão definindo a competitividade do grão importado frente ao nacional.

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