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Tecnologia aplicada na reabilitação é aposta para recuperações mais rápidas

Aparelhos de última geração aceleram o progresso de pacientes e ampliam a autonomia durante o tratamento

Publicado em 19/05/2025 – 16:53 – Leonardo Minardi

Pedalando em ritmo firme na bicicleta ergométrica, dona Elza Regina, de 76 anos, relembra que, há poucos meses, dependia de uma cadeira de rodas para se locomover. As fortes dores no joelho direito reduziram sua autonomia, mas hoje ela caminha com liberdade — utilizando apenas uma muleta para apoio temporário.

Após passar por uma cirurgia para a troca de prótese no joelho, ela está em processo de recuperação na Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR). Ela celebra os avanços conquistados e não esconde a satisfação de poder circular pela sala de fisioterapia, mas destaca que os percalços do processo.

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“Tanto a cirurgia, quanto a fisioterapia são doloridos, mas o médico me explicou que seria assim mesmo, e eu melhorei muito de lá pra cá com a fisioterapia. Já tinha feito uma cirurgia no ombro e hoje também consigo me movimentar bem”, conta.

A reabilitação é, de fato, um processo longo, que pode levar meses ou até anos, dependendo do caso. O objetivo é recuperar, ao máximo possível, a funcionalidade física, cognitiva e emocional dos pacientes, promovendo autonomia e qualidade de vida. Na fisioterapia, os tratamentos incluem exercícios de força, equilíbrio e coordenação, adaptados às necessidades específicas de cada pessoa — como no caso de dona Elza.

Com a ajuda da tecnologia, porém, essa jornada tem se tornado menos árdua e, muitas vezes, mais rápida. Equipamentos modernos vêm sendo incorporados aos tratamentos tradicionais, acelerando a recuperação de pacientes com lesões ortopédicas, neurológicas ou em reabilitação pós-cirúrgica.

Com passos um pouco mais rápidos e progressão contínua, a reabilitação traz de volta o controle sobre o próprio corpo e ajuda a recuperar a autoestima dos pacientes. Segundo Marcelo Côrrea, coordenador do setor de fisioterapia da ABBR, o avanço tecnológico representa um grande salto para a área, desde que aliado ao olhar clínico e personalizado da equipe de profissionais.

“Nenhuma máquina substitui a expertise do fisioterapeuta na definição de um plano individualizado. Mas os recursos que temos hoje ajudam a alcançar os resultados com mais rapidez e eficiência. Então, quando chegam novas opções no mercado, temos que aprender a aplica-las para ajudar nossos pacientes”, explica.

A instituição investiu pesado em aparelhos tecnológicos, incluindo a compra de uma esteira antigravitacional desenvolvida com tecnologia da NASA. O equipamento utiliza uma câmara pressurizada para reduzir o peso corporal do paciente em até 80%, diminuindo o impacto nas articulações durante a caminhada ou corrida. É indicada principalmente na recuperação de fraturas, lesões ortopédicas e condições que afetam a marcha.

Outro recurso inovador é o MOTOmed, um sistema de mobilização motorizada que permite o exercício ativo ou passivo dos membros inferiores e superiores. É especialmente útil para pacientes com mobilidade reduzida ou com comprometimentos neurológicos, como os que sofreram AVC, ou vivem com Parkinson, esclerose múltipla ou lesões medulares.

“O processo de reabilitação não está ligado somente a parte física, mas também a psicológica. Muitos pacientes sentem dor e desenvolvem um medo do processo, e a tecnologia chega para diminuir esses efeitos. Quando usamos essas ferramentas para reduzir o peso do paciente ou auxiliar sua movimentação, ele sente uma segurança maior em realizar as atividades, permitindo uma recuperação mais leve e rápida”, explica.

Um dos equipamentos mencionados pelo fisioterapeuta é o Maxi Movi, um elevador de chão motorizado que facilita a movimentação segura de pacientes com dificuldades severas de locomoção. O equipamento permite que um único profissional realize transferências – como da cama para a cadeira ou da cadeira para a esteira – de forma segura e sem esforço físico excessivo.

Além de auxiliar na locomoção, o aparelho é utilizado em exercícios que simulam a marcha ou movimentos como subir e descer escadas. Este e os demais equipamentos são recomendados especialmente em casos de lesões mais graves, e promovem um atendimento mais eficiente sem perder o lado humano.

Para o diretor executivo da instituição, o ortopedista João Grangeiro, o investimento representa um passo para o futuro da reabilitação física e emocional.

“Nosso compromisso é com a recuperação integral do paciente — física, emocional e social. Ao aliar tecnologia de ponta ao cuidado humano, reforçamos o papel da ABBR como referência em reabilitação e como um espaço onde cada pessoa encontra apoio para recomeçar”, finaliza.

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