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Crédito do Agronegócio Encolhe em 2026 com Recuo de 77% nos CRAs e Maior Seletividade dos Fiagros

Avanço das recuperações judiciais e indefinição sobre a essencialidade de bens fiduciários reduzem a oferta de crédito privado, encarecem financiamentos e alteram estratégias de gestoras de recursos.

Por Vlamir — Publicado em 11/08/2026 – 09:33

O mercado de crédito privado direcionado ao agronegócio enfrenta um cenário de acentuada retração em 2026. Impulsionados pelo aumento nos pedidos de recuperação judicial, juros altos e preços pressionados das commodities, os investidores e gestores de fundos passaram a adotar postura significativamente mais rígida. O reflexo mais direto dessa mudança é a queda nas emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), cujo volume médio mensal despencou 77% — passando de R$ 5,3 bilhões no 2º semestre de 2025 para R$ 1,2 bilhão nos primeiros seis meses deste ano, segundo dados da Anbima.

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A principal apreensão dos financiadores reside no risco jurídico sobre as garantias. Decisões judiciais em estados como Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná têm classificado bens dados em alienação fiduciária (como máquinas, safras e terras) como “bens de capital essenciais”, protegendo-os temporariamente contra a execução durante o período de recuperação judicial.

PRINCIPAIS RETRATOS DO MERCADO DE CRÉDITO EM 2026

Queda Livre nos CRAs

O volume médio mensal emitido caiu de R$ 5,3 bilhões (2S25) para R$ 1,2 bilhão (1S26), uma redução drástica causada pela cautela de pessoas físicas e pela menor demanda dos Fiagros.

CPRs na Justiça em Média Recorde

As disputas judiciais envolvendo Cédulas de Produto Rural (CPRs), movidas majoritariamente por credores para antecipar cobranças, subiram de cerca de 100 processos/mês em 2022 para mais de 400 em junho de 2026.

Concentração Regional de RJ

A participação dos estados de alta vocação agrícola nos pedidos de recuperação judicial consolida-se em patamares elevados: representava 27% entre 2022 e 2025 e mantém-se em 47% em 2026.

Mudança Estrutural das Gestoras

Para mitigar riscos, fundos como a Riza Asset passaram a exigir Loan-to-Value (LTV) mais baixo (emprestando entre 60% e 80% do valor da garantia) e recorrer ao modelo de sale and leaseback. Já a Capitânia redirecionou o foco para empresas da cadeia de insumos com balanços auditados.

PONTOS-CHAVE SOBRE A CRISE DE CRÉDITO NO AGRO

  • Indefinição Regulatória: A ausência de entendimento pacificado no STJ sobre se grãos (soja e milho) são bens essenciais gera “zona cinzenta” para os credores.

  • Orientação do CNJ: Embora o CNJ tenha emitido diretrizes sobre o tema em março de 2026, a orientação administrativa não vincula as decisões dos juízes estaduais.

  • Fiagros sob Teste: Fundos imobiliários e de crédito do agro aplicam régua mais alta de governança e transparência antes de alocar recursos.

  • Impacto no Produtor: O financiamento privado não sumiu, mas tornou-se substancialmente mais caro e exigente em termos de garantias contratuais.

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