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Manifestação pelo fim da jornada 6×1 reúne famílias e movimentos em São Paulo

Manifestantes marcharam até a Praça Roosevelt cobrando celeridade na tramitação do projeto no Senado; ato registrou forte adesão de movimentos de moradia e famílias de trabalhadores.

Por Guilherme Jeronymo — Repórter da Agência Brasil – Publicado em 01/07/2026 09:15

A Avenida Paulista, no coração de São Paulo (SP), foi palco de uma grande manifestação popular na noite desta terça-feira (30). Milhares de pessoas se reuniram para exigir o fim da jornada de trabalho na escala 6×1 (onde se trabalha seis dias para um de folga). Organizado por sindicatos, movimentos sociais e frentes estudantis, o grupo caminhou em marcha pacífica até a Praça Roosevelt, na região central da capital.

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O foco central dos discursos e cartazes foi a cobrança por celeridade na votação do tema no Senado Federal. Houve duras críticas aos parlamentares e, nominalmente, ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cobrado publicamente pela falta de empenho e agilidade na condução e articulação da pauta na casa legislativa.

O Cansaço na Pele de Quem Trabalha

O perfil dos participantes evidenciou o impacto direto da jornada na vida do trabalhador comum. Marcos Biangolini, de 33 anos, funcionário de uma garagem de ônibus, relatou a exaustão da rotina e fez questão de comparecer ao ato com os colegas logo após o fim do expediente.

“Desde que eu me conheço por gente eu trabalho na escala 6×1. Isso é cansativo, você acaba trabalhando um mês inteiro e não consegue nem gastar o que recebe porque está trabalhando. Tem um dia de folga para poder gastar e, nesse dia, você só quer descansar. Não consigo nem ter tempo com a minha família. Isso sinceramente tem que acabar”, desabafou Marcos, criticando também quem trabalha em posições confortáveis e defende a manutenção da escala.

Além da pauta trabalhista, o ato abriu espaço para discursos transversais em defesa do direito à moradia, liberdade de manifestação e o combate ao feminicídio.

Presença de Famílias e Nova Dinâmica de Público

Embora o protesto tenha seguido o roteiro tradicional de mobilizações de esquerda, com forte presença de parlamentares e partidos políticos, a edição desta terça registrou um volume significativamente maior de participantes, impulsionado pela adesão massiva de movimentos de moradia. O cenário foi marcado pela presença de famílias completas, incluindo crianças e idosos.

Um dos símbolos dessa união geracional era o metalúrgico aposentado Manuel de Oliveira Santos, de 68 anos, que viajou de Embu das Artes, na Região Metropolitana, acompanhado de familiares para engrossar o coro.

“Estou aqui porque é muito importante para nós, classe trabalhadora. Nós queremos vencer essa batalha e vamos vencer sim com muita luta, muito trabalho. Não importa hoje o horário de chegar em casa não”, brincou o operário aposentado, que tem 4 filhos e 6 netos e reforçou que a urgência da mobilização visa garantir um futuro melhor para as próximas gerações.

Bastidores e Atuação Policial

A manifestação ocorreu de forma pacífica, mas chamou a atenção por um detalhe de bastidor: a ausência de negociadores civis independentes. A presença desses profissionais faz parte de uma determinação recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que estabelece regras rígidas para a atuação das forças policiais em protestos no estado de São Paulo. O governo estadual possui um prazo de cerca de 50 dias para concluir a elaboração do protocolo oficial que regulamentará essa exigência.

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